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Josué Oliveira com certificado de vencedor do Concurso da Alla
Foto: Maurício Lamoia
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Lá
se vão mais de onze anos, nos quais o nosso velho Brasil lida com os mais
distintos problemas, que vagueiam entre os sociais, os das paixões e os dos
poderes constituídos. Não era previsto na letra fria das conversas entre seus
filhos, mas como indagadores do sistema que gerenciava o país, ficava claro que
algo de errado poderia acontecer num curto espaço de tempo.
A
euforia da ascensão social, do poder conquistado por milhares de pobres, da
natureza sorridente em estampar nas páginas sociais aquilo que normalmente não
se conquistaria em um país chamado de terceiro mundo há uns trinta anos, e
emergentes em nossos dias. Essa alegria gerava prazer, pelas praças e salas de
festas, o pobre que antes andava de chinelo “Havaianas” nas cores azuis ou
preta, agora desfrutava de tênis de marcas caras.Era mesmo o inverso da miséria
estampada na imprensa internacional. Aqui no Brasil hoje, a miséria mudara de
figura e tornara-se intelectual.
Não
deveríamos nos envergonhar diante dos estranhos gringos, mas tomamos às vezes
um ar de vergonha quando somos expostos ao vexame, em nossa própria casa.
Vexame
esse que me recordo bem, como os ocorridos no início deste século XXI, em 2005,
aquele julgamento doido do Mensalão, onde achei que tinha sido a gota d’água
diante das aberrações ali vistas. Mas não! O país entrou numa linha de
protagonismo sem igual. Protestos que serviram de alerta diante da imprensa internacional,
mostravam ao mundo que aqui as coisas não estavam bem. Isso ainda era no meado
de 2013. Os protestos com violência como ocorreram deram recados fortíssimos
aos governantes e autoridades do poder judiciário. O povo estava já aflito e
frito diante de uma mera situação de que representava um rombo no orçamento do
trabalhador. Aqueles vinte centavos de aumento foi o ponto de partida.
Quando
pensávamos que 2014 seria o ano de uma glória brasileira, lá se foi o início de
uma nova rasteira. Foi um vexame sem precedentes. Uma tarde sombria e sem
nenhuma explicação, o Brasil levava a maior goleada na história das Copas. Era
um 7 a 1 para a Alemanha, que já vinha dando aulas de cidadania em diversas
cidades onde ficara alojada. Para nós, aquele dia foi para ser esquecido, mas não
vivê-lo e esquecê-lo, não lidaríamos com a realidade dos fatos. Nossa paixão
era puro vexame.
Porém,
2014 ainda não tinha terminado. O pior ainda estava por vir. E vieram. Vieram
as eleições que até agora não terminaram suas discórdias, ameaças e o culto do
‘eu’. O vexame tomou conta de todos os meios de comunicação. O radicalismo da
opinião, o sentimento aflorado por uma causa levou milhões a buscar o revés, no
combate ao idealismo implantado de forma sorrateira e covarde, onde se buscava
fugir do pesadelo do passado e não entrar no túnel do futuro sombrio. Estava
claro que o vexame não tinha ido embora. E o tempo passou...
As
promessas não cumpridas hoje servem de pão diário para quem deseja mudanças,
todo dia se repete a dose contra o sistema vermelho. As prisões, as denúncias,
os inquéritos e tantas outras citações não apontam para um fim com pétalas de
rosas, mas apontam que os espinhos da velha roseira e servirá com total veneno aos que não
respeitaram os deveres e direitos garantidos pela mãe dos conselhos e leis: a
Constituição. A destituição de membros dos poderes Executivos e Legislativos
continua na pauta. Os jornais e revistas nunca venderam tanto como agora, já
que despertou o povo para discutir esse assunto. Por aqui na nossa pátria só se
discutia futebol, sobre mulher, dinheiro, carro, final de novela e a política
mesmo, não fazia parte da mesa redonda – a vergonha nos obrigou a mudar os
hábitos.
Não
sei, mas pelo visto posso estar encerrando meus pensamentos e compreensão
desses últimos tempos em apenas algumas linhas, mas entendo claramente que,
como brasileiro, ainda verei longos vexames, infelizmente. Mas entendo que, ele
é bom para que caiamos na realidade. O vexame mostra o quanto pobre fomos e
somos .Ele mostra que nunca tratamos a vida com responsabilidade, seja com a
sociedade, seja com nossas paixões ou mesmo com os poderes constituídos, e
enquanto formos amadores, o vexame estará estampado com nossos nomes pra todo
mundo ver.
Strong Sir | 3º Ano Ensino Médio |
Crônica
Josué Oliveira
Prof.: Eva Aparecida Silva
Prêmio ALLA 2016

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