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Há um bom tempo venho pensando muito neste artigo que ora agora resolvi tomar caneta e folha de papel, anotar, fazer observações e passá-las de forma digital para os meus leitores. Foi um trabalho que me fez invadir inúmeras searas para encontrar respostas sobre o jornalismo brasileiro atual, que sofre dos mais duros males ético e moral nos últimos tempos.
Alguns poucos anos atrás tive a oportunidade de realizar um breve curso de jornalismo digital, aquele voltado para a web, que é muito diferente do convencional, aquele feito diagramado em folhas de papeis e impressos em diversos formatos, dentre eles até as revistas. Pude aprender um pouco sobre as ideias do jornalismo digital, das suas propostas de alcance rápido ao consumidor final, não levando em conta muitas regras que eram obrigatórias na escrita convencional, tipo, "parágrafos, distanciamento, ajustes de colunas, etc", daí outras ferramentas foram se incorporando aos poucos e fazendo o jornalismo se tornar rude e cheios de vícios, os quais quero descrever nas próximas linhas deste artigo.
Um dos fatos que venho notando há muitos anos em toda estrutura do jornalismo brasileiro é que "ele parou de noticiar fatos e virou meros comentários", algo praticamente generalizado. Falta ao jornalismo de hoje o senso de ambiente de notícia, falta a sensação jornalística do que aquele fato anunciado pode provocar e onde ele pode chegar. Daí, hoje encontramos inúmeros canais de comunicação dos mais diversos lados e vieses ideológicos que não levam mais notícias, mas sim comentários.
Sou amante por exemplo do jornalismo mais famoso do Brasil, aquele que sempre de fato noticiou oficialmente fatos, mesmo quando as notícias eram comentários por pessoas envolvidas na natureza da vida pública. Era algo diferente e que sempre teve a crença pública. Ainda poucos sabem, mas o melhor jornalismo brasileiro vem do famoso horário das 19 horas, quando ligávamos o radinho e ouvíamos aquela voz imponente e bonita "Em Brasília, 19 horas", era A Voz do Brasil. Durava uma hora e cada notícia sobre o país, o governo, as instituições da Câmara, Senado, Supremo e outras autarquias sempre trouxeram notícias de grande relevância. Então, minha referência jornalística tem origem ali.
Também ao olhar as práticas jornalísticas dos últimos tempos, venho observando que "os comentários estão transformando os fatos em uma nova versão dos fatos", produzindo teses conspiratórias, dedutivas. Essa carência de levar informações atualmente parece ser resultado da pressa em comprometer a opinião pública imediatamente com aquilo que o jornalista pensa sobre os fatos.
É fato, o nosso jornalismo brasileiro carece de formação ética e moral para dar as notícias. Viramos um lamaçal de impurezas que estão travestidas de jornalismo, de todos os lados, manchados por ideologias religiosas, políticas, ativistas e muitas outras naturezas, das quais talvez descobriremos no futuro. Transformar um comentário em uma notícia é, ao meu entendimento um crime jornalístico.
Notadamente, os vieses jornalísticos brasileiros vem provando que o emprego de palavras indicam a categoria em que se enquadram. Por exemplo, existem notícias que são constantemente publicadas para causar algum tipo de desgaste nas peças da notícia. Ora o termo é "governo", ora o nome é do "representante" de tal governo, ficando claro que não há separação das funções de governo e vida pessoal na formação da notícia do jornalismo brasileiro. Esse é um vício que leva os leitores a se enganarem com as publicações jornalísticas, colocando no campo da pessoalidade algo da vida pública ou vice versa.
Outro exemplo do emprego de termos contraditórios saiu em um grande jornal do país [Folha de São Paulo - 25/01/2021], onde cita a seguinte manchete: "Relatório aponta que família Bolsonaro lidera ranking de ataque à imprensa em 2020". Naturalmente todos sabem muito bem que essa matéria pode ser simplesmente dedutiva, que represente a imprensa brasileira, ou ao jornalismo brasileiro. É preciso analisar que, o mesmo setor jornalístico não faz o "mea-culpa" nesta relação de ataques, ou seja, ataca e recebe contra-ataques. Por essa razão, o tema em questão se o trocássemos nesta matéria da Folha de São Paulo, teríamos o novo título "Relatório aponta que família Bolsonaro lidera ranking de ataque 'da' imprensa em 2020", talvez criando um pouco menos de sensacionalismo e mais verdades. Mas nem precisa ser apenas a família Bolsonaro. Lembrem de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, Lula, Sérgio Moro, Garotinho, etc. Dependendo de quem é quem na história, o jornalismo não existe no Brasil e ou, aparece todos em certos casos. Em certos casos então teríamos aprofundadas matérias sobre nomes que ainda permeiam os porões da república, tais como Renan Calheiros, Aécio Neves, Michel Temer e muitos outros nomes. Estes permanecem intactos no jornalismo.
Os vícios do jornalismo brasileiro ainda não acabaram. Outra técnica usada, a de elencar cronologicamente usando links, tags, hastags e outros recursos para levar o leitor, ouvinte ou telespectador a criar vícios de conexão de fatos que não possuem relações entre si. Sempre tem um chamarisco ao lado.
Entre os diversos pontos abordados aqui, vejo que menções pejorativas, de depreciação moral que volta ao passado para justificar a nova notícia, ela induz a sociedade a aceitar sem nenhuma preocupação tal forma de jornalismo. Esse tipo de situação não mostra a seriedade jornalística quando os bons feitos tem pouco ou nenhum espaço no noticiário. O exemplo disso é que, o jornalismo desafeto não passa a notícia, mas a versão que queira dar da notícia.
Ao cabo dos dias, nosso jornalismo ainda tem muito mais de coisas ruins a aparecer que o que aparenta ter e ser. Quando o jornalismo passa dos limites de suas funções de averiguar, investigar e informar, passando para o lado direto das intervenções na história, ele se traveste de militância política com voz de jornalismo. E diga-se, temos jornalistas metidos em muitas encrencas por aí por não ser justos.
O exemplo disso foram os pedidos de impeachment feitos pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa), a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e mais de 400 entidades contra o presidente Jair Messias Bolsonaro em 25/05/2020. O fato de um setor jornalístico entrar com processos de impeachment ou, solicitar quaisquer intervenções jurídicas fora das suas competências que é de informar o público, revela que o jornalismo brasileiro é forte e bem representado dentro de diversas ONGs e grupos ativistas.
Outro pedido publicado encabeçou manchetes em diversos jornais, um deles dizia que "Líderes religiosos protocolam novo pedido de impeachment de Bolsonaro" - O Estadão. Na lista é possível ver que diversas entidades de pouca representação religiosa e a maioria de ativistas políticos endossaram o tal documento, que necessariamente não representa os maiores grupos religiosos do país. No tema da notícia, a ideia foi apenas uma forma de pegar o grupo religioso que mais apoia as estruturas do governo e usar contra o mesmo, neste caso, os grupos religiosos não estiveram do lado do governo. Outro erro jornalístico que tentou deturpar a verdade. Esse grupo já esteve em outros episódios de reclamações também.
Ainda discutindo o jornalismo, minha grande preocupação tem sido ver os inúmeros crimes cometidos por jornalistas que vestem o termo de "liberdade de expressão", que no exercício jornalístico criam instabilidades nas estruturas do país. Os mesmos não são repelidos, censurados quando cometem crimes contra os desafetos políticos. Fica claro que não existe a mesma medida contra os criminosos do jornalismo, algo que foi duramente retaliado pelo Supremo Tribunal Federal e que nada foi encontrado pela Polícia Federal, nos supostos atos antidemocráticos ocorridos em 2020. Houve movimentos de todos os lados, curiosamente apenas um lado da questão, o lado inclusive que não foi flagrado e nem teve nenhum ato de vandalismo foi penalizado nas suas liberdades.
A inércia do Ministério Público Federal, do Ministério Público Eleitoral, da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral, do Senado, da Câmara, do Governo, da Ordem dos Advogados do Brasil, do Conselho Nacional de Justiça e das entidades de proteção dos direitos e liberdades não convergem para o mesmo lugar na hora de defender os fatos, mas as versões e opiniões. Esse é um fato, fático! O Brasil corre riscos de penalidades em tribunais internacionais por essa orgia institucional que não preserva a paz social e instala a perseguição indevida contra cidadãos comuns por crimes não provados.
É obrigação dos entes do Estado garantir a governabilidade e a paz social, está previsto na Constituição Federal e no entanto, as ideologias difusas impedem o cumprimento da lei. Daí nos encontramos nesse ferrenho lamaçal de sujeira, onde a verdade não produz a limpeza necessária em ninguém.
Uma outra anomalia jornalística também tem surgido assustadoramente no país, e tem causado inúmeros problemas também. É a pressa. O jornalismo muitas vezes tem sido capaz de levar o ambiente da notícia em tempo real, penalizando apurações dos fatos, que no lugar de informar, cria movimentações para sensibilizar grupos prós e contras tal situação. É o ato de jogar no ventilador e deixar acontecer. O jornalismo sério precisa ser responsável pela publicidade que dá os fatos. Esse tipo de jornalismo faz o público tirar conclusões precipitadas. O jornalista precisa ter ouvido e olhos atentos, além de se informar, e na informação prestar um jornalismo sério.
Levando em conta outra faceta do nosso jornalismo, é preciso averiguar a notícia da notícia. Pode crer, sempre tem a notícia da notícia. A notícia da notícia vem sempre esquentada, vem azeitada. Viu aí recentemente a notícia do Metrópole sobre os gastos do governo em alimentação? Viu as acusações sobre o Ministro da Saúde Eduardo Pazzuelo? Então, oficialmente o país só conhece as versões publicadas de um ajuntamento de dados que não foram explicados, e daí, aquilo que era notícia foi extraído da informação e passado com total desprezo de responsabilidade. É preciso averiguar!
Não distante das falas publicadas, encontramos os jogos de palavras bem pensadas para causar mais impressão em quem lê, ouve e ou assiste. Quando lembro da fala do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa na Ação Penal 470 julgada em 2013, nela Barbosa acusou o companheiro do tribunal Ricardo Lewandowski de "fazer chincana", termo usado para se referir a estratégias de atrasar um processo. Na época, Lewandowski pediu retratação, o que não foi dada por Joaquim Barbosa.
É analisando os termos muitas vezes empregados por grandes escritores do jornalismo brasileiro que fico pensando nessa ética jornalística. Estudaram, gastaram tempo e recurso, e se destroem diante de opiniões corrompidas pelo "politicamente correto e pela inanição de dinheiro público". Daí compreendo o porque tanto esperneamento jornalístico para chamar a atenção. É o jornalismo preso.
O exemplo desse esperneamento é visto nas grandes emissoras de televisões e rádios, onde colocam debatedores com o mesmo viés, ou seja, não é debate, mas um ajuntamento reforçado para falar da mesma coisa. Quem ainda não viu, compare o jornalismo feito por exemplo no "Estúdio I" da Globo News onde recebem pessoas do jornalismo e dizem debater assuntos com pluralidades de opiniões, mas todos terminam sempre com a mesma opinião da emissora. Agora, pule lá para a CNN, assista um pouco do "O Grande Debate" e tire suas análises. Por fim, vá ao canal da Jovem Pan no Youtube e veja outro tipo de debate, lá nos "Os Pingos nos Is" e tire suas conclusões. Cada um desses meios que citei possuem características distintas na hora do debate e elas precisam ser observadas pelo ouvinte e telespectador.
Finalizando, ainda encontro outro fato esquisito presente no jornalismo brasileiro. Pessoas de um determinada área praticamente respondem por tantas outras áreas na imprensa. Ou seja, a mesma pergunta que eu faria ao Supremo Tribunal Federal se ele vai liberar as vacinas que não foram autorizadas pela ANVISA, é como se os ministros do STF fossem consultados a dar um parecer favorável de algo que eles não sabem, não estudaram, pois não são cientistas da medicina. Portanto, quando vejo no jornalismo brasileiro gente se dando bem, falando em nome de terceiros, em lugar de terceiros, logo os fatos ficam comprometidos por distorcer a verdade.
Nos últimos tempos, esse tipo de jornalismo tem sido paulatinamente repetido nos principais veículos de comunicação do país. O sujeito sabe de economia, de política, de religião, de leis, de tudo, e no final, fica comprometido por não saber nada o suficiente para prestar informações verdadeiras. Infelizmente, a maioria transmite achismos, não fatos.
Recentemente assistindo o filme "A última chace", produzido pela Saban Filmes, gravado nos Estados Unidos e Reino Unido, lançado em 2019, a história é bem interessante quando passamos a abordar a história que era narrada de dentro dos estúdios, por trás das cadeiras, câmeras e computadores, enquanto a repórter Ava Brooks (Courtney Eatin) acompanhava a realidade do jornalismo, ao lado do policial Frank Penny (Aaron Eckhart). Esse filme também me deu ideias de como é comprometido o jornalismo muitas vezes na preparação escrita, na edição e na sua divulgação.
Ao escrever alguns conceitos sobre ética no jornalismo no livro "Manual de jornalismo para rádio, tv e novas mídias", Gabriel Garcia Marquez afirmou que "A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade; ou seja, é um conjunto de princípios e disposições historicamente produzidos voltados para a ação cujo objetivo é balizar as ações humanas. Ela existe como referência para os homens em sociedade, e está associada à ideia de conduta virtuosa e a valores como dignidade, justiça, honestidade, solidariedade. Aém disso, ela pode - e dever - ser incorporada por todos como atitude diante da vida cotidiana, mas é preciso ressaltar que não se trata de um conjunto de verdades críticas, imutáveis" (Editora Campus, página 18, 2013, Heródoto Barbeiro, Paulo Rodolfo de Lima).
Esse tipo de situação deve ser levado a sério pelo jornalismo leopoldinense. A informação é algo crucial e deve ser levada com seriedade, sem brincadeiras, sem a pimenta do politicamente correto, sem a pitada política e sem serventia aos envolvidos nos fatos para não se tornar ilegítimos na entrega da verdade.
Eu costumo dizer que "Deus e o Diabo falam verdades. Você pode discordar, mas é preciso saber qual é a boca que está dizendo a verdade e que você confia. É só dar uma olhadinha na fala de Deus e da serpente (Diabo) lá no jardim do Éden". Jornalismo é assim, é preciso de cuidados, é preciso desconfiança, averiguar e se informar sempre, até quando ele vem oficialmente dos órgãos públicos. Mas nunca distorcer os fatos, sempre levar fatos.
Temos na nossa pequena cidade diversos meios de comunicação, podendo ter um e outro mais relação política, para um e outro lado na ideologia, ou até serem neutros em muitos aspectos. No entanto, a falta de jornalismo apartidário tirou dos leopoldinenses por muito tempo a chance de ter notícias sem contaminação política, sem aquela pressão para falar sobre tal tema, criando um cenário pessoal entre a notícia, o transmissor e os ouvintes ou leitores. Fomos pressionados até por grupos de redes sociais e políticos a tratar de temas fora do conhecimento da imprensa, no entanto, sabidamente temos mudado esse linha nas nossas apurações, edições e publicações.
Historicamente sempre tivemos o jornalismo local ligado muito próximo dos agentes dos fatos, que necessariamente os fatos em algum momento momento da história não foi tratado especificamente. Essa é uma das principais razões, a qual nunca quis me filiar a partidos políticos. Cubro, trabalho, no entanto, a liberdade jornalística não pode ser comprometida com as bandeiras de nenhum partido, de nenhuma religião, de nenhum representante público. Quem conhece meus posts de opinião, entende muito bem, pois procuro esmiuçar as indagações para encontrar respostas. Quem encontra as respostas de tudo imediatamente ficará fadado a verdades encobertas.
No jornalismo que procuro fazer e que creio nele, é o puro, isento, deixando as análises que forem necessárias aos leitores sempre fora na notícia. É esse jornalismo que sabe criticar respeitosamente, saber elogiar ou apresentar propostas que devem ser apreciadas e imperar se for aceitável, levando sempre a crítica a quem quer que seja, jornalisticamente falando.
Findo dizendo que, já desejei fazer parte das principais associações que representam o jornalismo do país, mas me declinei. Primeiro porque é caro estar lá. Segundo porque não faz sentido. Terceiro porque as associações emitem pareceres que vão na contramão da maioria de seus associados. Portanto, a independência e responsabilidade jornalística não precisa da certidão de faculdade nem carteira estudantil, ela está no caráter jornalístico e moral de quem escreve.
Por Josué Oliveira
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