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16 junho, 2016

É hora de aprender com os nossos vexames

Josué Oliveira com certificado de vencedor do Concurso da Alla
Foto: Maurício Lamoia

Lá se vão mais de onze anos, nos quais o nosso velho Brasil lida com os mais distintos problemas, que vagueiam entre os sociais, os das paixões e os dos poderes constituídos. Não era previsto na letra fria das conversas entre seus filhos, mas como indagadores do sistema que gerenciava o país, ficava claro que algo de errado poderia acontecer num curto espaço de tempo.
A euforia da ascensão social, do poder conquistado por milhares de pobres, da natureza sorridente em estampar nas páginas sociais aquilo que normalmente não se conquistaria em um país chamado de terceiro mundo há uns trinta anos, e emergentes em nossos dias. Essa alegria gerava prazer, pelas praças e salas de festas, o pobre que antes andava de chinelo “Havaianas” nas cores azuis ou preta, agora desfrutava de tênis de marcas caras.Era mesmo o inverso da miséria estampada na imprensa internacional. Aqui no Brasil hoje, a miséria mudara de figura e tornara-se intelectual.
Não deveríamos nos envergonhar diante dos estranhos gringos, mas tomamos às vezes um ar de vergonha quando somos expostos ao vexame, em nossa própria casa.
Vexame esse que me recordo bem, como os ocorridos no início deste século XXI, em 2005, aquele julgamento doido do Mensalão, onde achei que tinha sido a gota d’água diante das aberrações ali vistas. Mas não! O país entrou numa linha de protagonismo sem igual. Protestos que serviram de alerta diante da imprensa internacional, mostravam ao mundo que aqui as coisas não estavam bem. Isso ainda era no meado de 2013. Os protestos com violência como ocorreram deram recados fortíssimos aos governantes e autoridades do poder judiciário. O povo estava já aflito e frito diante de uma mera situação de que representava um rombo no orçamento do trabalhador. Aqueles vinte centavos de aumento foi o ponto de partida.
Quando pensávamos que 2014 seria o ano de uma glória brasileira, lá se foi o início de uma nova rasteira. Foi um vexame sem precedentes. Uma tarde sombria e sem nenhuma explicação, o Brasil levava a maior goleada na história das Copas. Era um 7 a 1 para a Alemanha, que já vinha dando aulas de cidadania em diversas cidades onde ficara alojada. Para nós, aquele dia foi para ser esquecido, mas não vivê-lo e esquecê-lo, não lidaríamos com a realidade dos fatos. Nossa paixão era puro vexame.
Porém, 2014 ainda não tinha terminado. O pior ainda estava por vir. E vieram. Vieram as eleições que até agora não terminaram suas discórdias, ameaças e o culto do ‘eu’. O vexame tomou conta de todos os meios de comunicação. O radicalismo da opinião, o sentimento aflorado por uma causa levou milhões a buscar o revés, no combate ao idealismo implantado de forma sorrateira e covarde, onde se buscava fugir do pesadelo do passado e não entrar no túnel do futuro sombrio. Estava claro que o vexame não tinha ido embora. E o tempo passou...
As promessas não cumpridas hoje servem de pão diário para quem deseja mudanças, todo dia se repete a dose contra o sistema vermelho. As prisões, as denúncias, os inquéritos e tantas outras citações não apontam para um fim com pétalas de rosas, mas apontam que os espinhos da velha roseira e  servirá com total veneno aos que não respeitaram os deveres e direitos garantidos pela mãe dos conselhos e leis: a Constituição. A destituição de membros dos poderes Executivos e Legislativos continua na pauta. Os jornais e revistas nunca venderam tanto como agora, já que despertou o povo para discutir esse assunto. Por aqui na nossa pátria só se discutia futebol, sobre mulher, dinheiro, carro, final de novela e a política mesmo, não fazia parte da mesa redonda – a vergonha nos obrigou a mudar os hábitos.

Não sei, mas pelo visto posso estar encerrando meus pensamentos e compreensão desses últimos tempos em apenas algumas linhas, mas entendo claramente que, como brasileiro, ainda verei longos vexames, infelizmente. Mas entendo que, ele é bom para que caiamos na realidade. O vexame mostra o quanto pobre fomos e somos .Ele mostra que nunca tratamos a vida com responsabilidade, seja com a sociedade, seja com nossas paixões ou mesmo com os poderes constituídos, e enquanto formos amadores, o vexame estará estampado com nossos nomes pra todo mundo ver.

Strong Sir | 3º Ano Ensino Médio | Crônica
Josué Oliveira
Prof.: Eva Aparecida Silva
Prêmio ALLA 2016

10 junho, 2016

Pastor Josué Oliveira faz carta de agradecimento pelo prêmio conquistado na ALLA.

Olá queridos amigos e irmãos em Cristo.

Venho neste momento compartilhar com vocês um pouco da minha imensa felicidade, que vem sendo construída ao longo dos últimos anos, fruto de esforços, dificuldades e interesse de fazer acontecer, mesmo que as vezes não saia certo ou perfeito.

Na noite desta quinta-feira 9 de junho de 2016, fui abençoado. Estava escrevendo como sempre, há mais de um mês atrás, e um dos meus textos enviei à Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA, o qual dei o tema de “É hora de aprender com os nossos vexames”, (breve vou publicá-lo aqui no blog) texto no qual falei das nossas experiências nos últimos anos, em questões políticas, esportivas e apontei que estes vexames deveriam servir de exemplo para nós, e voltarmos ao lugar da glória, e não do escárnio internacional.


Pois bem, com relação ao concurso, estava concorrendo na categoria ‘crônica’ e não quis me envolver com mais outros textos nas demais, até podia, mas não quis fazê-lo. O resultado veio em um momento muito legal da minha caminhada. Hoje, concluindo o Ensino Médio, onde fiquei distante por cerca de 15 anos, e neste período fiz diversos cursos, busquei conhecimento e voltei para encerrar meus estudos e dar uma nova fase na vida. Fui premiado com o primeiro lugar na categoria. Eram centenas de pessoas no auditório do Cefet, onde aquelas palmas me fizeram rever um filme rápido, lembrei de “onde eu estava e onde estou agora” – foi muito legal.

Como vencedor da categoria, recebi a honra também de tornar membro da ALLA, onde estarei com os demais integrantes cooperando, aprendendo, sendo instruído por amigos conhecidos e pessoas que agora serão parte desta nova etapa intelectual e social em que participarei.

Diante deste prêmio, quero agradecer primeiramente a Deus por ser o “Centro” das minhas petições e orientações no cotidiano. Agradeço a monitora, Eva Aparecida Silva da linguagem de Português, a qual me incentivou, abrindo as portas para ver este meu potencial. À minha diretora Zazaia, super gente fina. Aos amigos de sala com os quais discutimos as ideias a serem desenvolvidas e que foram colocadas pra fora. A minha família, que, mesmo tirando este tempo para os estudos, o propósito é visando um futuro melhor de cada um deles também. Aos irmãos e amigos, Mauricio Giane Valter Lopes, que prestigiaram este momento, Deus vos abençoe.

Enfim, quero agradecer a todos que torceram por mim, e que este prêmio seja dedicado em nome de cada um cidadão leopoldinense, sem fala, sem voz e sem identidade, que grita por liberdade, não sendo ouvido, que geme e que ninguém se importa, a eles, o reconhecimento que as vezes, as dores não são temporárias, mas as vitórias são marcantes. Vigor e luta, não podemos desistir, dias melhores e lugares desconhecidos ainda aguardam cada poeta e escritor da nossa terra. Muito obrigado!


Fonte: Leopoldina News

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