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| Imagem: Sontra Cargo |
Ninguém nesse mundo pode dizer "não dependo de ninguém". Este lema é tão antigo quanto a ignorância à realidade alheia, onde não sabemos que o sapato aperta ou onde a porta bate com pressão.
A vida dos brasileiros é tão difícil quando olhamos sob a ótica política e jurídica. Nem todo mundo tem acesso às informações, direitos, cidadania, bens, etc. E nesse trágico caminho, o cidadã brasileiro trabalha por volta de 150 dias para sustentar um sistema que parece não ter fim, pois são muitos os impostos.
Veja que pagamos impostos internacionais, impostos nacionais, imposto estaduais e municipais. É imposto para isso, para ali, pra lá e assim vai, e no fim das contas não vemos eles voltarem para produzir benefícios na velha engrenagem.
Um exemplo disso é que o imposto chamado IPVA deveria ser aplicado na melhoria das rodovias e estradas de rodagens, sinalização e manutenção de toda estrutura do trânsito. Na prática isso não ocorre. As melhores estradas do país são aquelas onde o usuário já tenha pago o IPVA e ainda paga o pedágio para poder usá-la. Ou seja, é um imposto sobre outro imposto.
Razões para os protestos dos caminhoneiros são muitas. Elas envolvem a segurança no trabalho pelas estradas, envolve a qualidade dos serviços oferecidos pelos governos federal e os estaduais, pois grande parte da malha viária não tem boa sinalização ou está caótica em todos os aspectos. Envolve também o frete que é insuficiente para honrar os custos da viagem. Também, como principal encabeçador da lista está o valor do litro do óleo diesel e do pedágio cobrado pelos eixos suspensos.
Tenho dito que os governos e poder judiciário muitas vezes querem usar a força para resolver o problemas dos protestos. Tem juiz dando liminares até para usar o apoio do Exército, Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal. Mas veja que eles se quer atendem as chamadas que hoje é do povo com os caminhoneiros, em rever o roubo frequente que o sistema faz com o trabalhador.
Michel Temer foi mais comedido em dizer que iria negociar, diferentemente da ex-presidente Dilma que em 2015 mandou a Polícia Rodoviária Federal agir com força bruta contra os caminhoneiros para desobstruir as rodovias. Mesmo com toda "calma", os acordos apresentados pela equipe do governo na noite desta quinta-feira 24 não foi bem recebido pelos caminhoneiros. Os caminhoneiros alegam que as entidades que negociaram com o governo não os representa, e que a greve irá continuar.
O final de semana promete esquentar as conversas e ações pontuais com relação aos protestos. Os caminhoneiros tem razão, afinal ninguém imaginava que um país poderia sofrer tanto com uma greve dessa proporção. Só quem tenha vivido no fim da década de 90 deve lembrar de outro momento como esse.
É esperar para ver, enquanto isso pouca gente poderá dirigir de um lado para o outro. Ruas, praças, escolas e muitos ambientes estão totalmente vazios. Carros que deixavam as garagens para o trabalho, agora descansam por horas ou dias inimagináveis. O país está parado. A economia não está girando. O governo está deixando de arrecadar, os comerciantes em vender, e o consumidor já não encontra produtos básicos em muitos lugares.
Tudo é tão rápido mesmo tão distante nesse país. O alimento produzido no sul quando não chega no centro-norte do país causa enormes problemas. Assim como produtos produzidos no norte e nordeste que devem abastecer o centro-sul, a demora da entrega faz com que haja escassez nos mercados e lojas.
Eis aí o porque devemos sempre respeitar as regras da engrenagem. Os governos não se preocupam com o povo, com os trabalhadores. Se estes pararem, o que será dos governos? Meros homens com canetas vazias nas mãos.
Por Josué Oliveira






