Cinco deputados de Minas Gerais votaram pelo não prosseguimento da denúncia contra Temer, que seria em hipótese de aprovação na CCJ nesta quinta, 13 e investigado no STF.
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| Reprodução: Globo.com |
Após a derrota do relatório do deputado carioca Sergio Sveiter do PMDB por 40 votos a 25, um novo relatório foi apresentado pelo deputado do PSDB, Paulo Abi-Ackel de Minas Gerais e na segunda votação, o governo venceu por 41 votos a 24.
Na prática, nos últimos dias vários deputados se sentiram constrangidos com a liberação de verbas parlamentares, cargos oferecidos pelo governo, e além de partidos aliados ameaçarem seus deputados com punições de suspensões e até mesmo expulsões. Mesmo assim, cerca de 20 deputados foram remanejados na CCJ para votarem favoráveis a Temer.
Representando Minas Gerais, os Deputados Bilac Pinto do PRB, Carlos Melles do DEM, Luiz Fernando Faria e Toninho Pinheiro do PP, Marcelo Aro do PHS e Paulo Abi-Ackel do PSDB, todos votaram favoráveis ao contra o relatório de Sérgio Sveiter e votaram favoráveis no segundo relatório.
A constatação se torna cada vez maior diante das argumentações usadas pelos deputados, em que usam méritos distintos para votarem favoráveis ao presidente Temer. Entre algumas argumentações dos deputados, figuraram algumas assim:
- Não há provas legais que possa permitir que essa denúncia continue;
- Temer colocou o pais no caminho do crescimento, contornando a crise econômica e aprovando medidas essenciais ao país;
- Desqualificaram o relator Sérgio Sveiter e o relatório;
- Desqualificaram a denúncia do Procurador Geral da República Rodrigo Janot;
- Desqualificaram a autorização do pedido pelo Ministro do STF Edson Fachin;
- Desqualificaram as provas produzidas por Joesley Batista nas gravações;
- Desqualificaram as imagens e o rastreamento feitos pela Polícia Federal;
- Desqualificaram a delação de Joesley Batista;
- Argumentaram a naturalidade do recebimento fora de hora empresário Joesley Batista;
- Desqualificaram as provas do endereçamento dos 500 mil a Temer;
- Fizeram análise de mérito da denúncia de corrupção passiva, etc.
Em todos os casos, os deputados agiram como advogados do presidente da república, e não como juízes que deveriam autorizar a investigação por um outro poder diante de relevantes indícios apresentados. Ficou claro que, ao contrário para aquilo que foram eleitos, os deputados não estão investigando e observando o princípio da boa conduta da administração pública, ao governo, mas se uniram entre os votos e as emendas parlamentares para manter um sistema de corrupção rotineira.
Uma outra observação das sessões na CCJ é que os deputados que votaram a favor do governo não analisaram a gravidade da denúncia, mas todos se preocuparam em promover alguma desqualificação à acusação.
Além da interferência clara do poder Executivo sobre a Câmara, a ingerência ética e moral por parte dos deputados mostra que país está afundado numa crise política grave. Até mesmo quem se posicionava contra a corrupção, fez corpo mole para proteger e blindar Temer depois receber alguns bocados de recursos em emendas parlamentares.
Apenas alguns meses atrás...
Em 2016, apenas os deputados Marcelo Aro e Paulo Abi-Ackel fizeram parte da comissão que analisou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. À época, ambos votaram a favor do parecer na comissão e favorável à cassação na votação do plenário. Pouco mais de um ano depois, o presidente interino e que depois foi efetivado após o impeachment, é denunciado e os motivos graves não foram considerados.
Outros deputados citados que votaram em plenário pelo impeachment de Dilma foi: Bilac Pinto (PR), Bonifácio de Andrada (PSDB), Caio Narcio (PSDB), Carlos Melles (DEM), Dâmina Pereira (PSL), Delegado Edson Moreira (PR), Diego Andrade (PSD), Dimas Fabiano (PP), Domingos Sávio (PSDB), Eduardo Barbosa (PSDB), Eros Biondini (PROS), Fábio Ramalho (PMDB), Franklin Lima (PP), Jaime Martins (PSD), Júlio Delgado (PSB), Laudivio Carvalho (Solidariedade), Leonardo Quintão (PMDB), Lincoln Portela (PRB), Luis Tibé (PTdoB), Luiz Fernando Faria (PP), Marcelo Álvaro Antônio (PR), Marcelo Aro (PHS), Marcos Montes (PSD), Marcus Pestana (PSDB), Mário Heringer (PDT), Mauro Lopes (PMDB), Misael Varella (DEM), Newton Cardoso Jr (PMDB), Odelmo Leão (PP), Paulo Abi-Ackel (PSDB), Raquel Muniz (PSD), Renzo Braz (PP), Rodrigo de Castro (PSDB), Rodrigo Pacheco (PMDB), Saraiva Felipe (PMDB), Stefano Aguiar (PSD), Subtenente Gonzaga (PDT), Tenente Lúcio (PSB), Toninho Pinheiro (PP), Weliton Prado (PMB) e Zé Silva (Solidariedade).
Apenas estes deputados votaram favoráveis à ex-presidente Dilma: Adelmo Carneiro Leão (PT), Aelton Freitas (PR), Brunny (PR), Gabriel Guimarães (PT), George Hilton (PROS), Jô Moraes (PCdoB), Leonardo Monteiro (PT), Margarida Salomão (PT), Miguel Corrêa (PT), Padre João (PT), Patrus Ananias (PT), Reginaldo Lopes (PT).