A dengue não é questão a ser tratada apenas nas periferias das cidades, principalmente se tratando de países subdesenvolvidos. Os problemas estão muitas vezes arraigados numa cultura com ausência de educação social, e também onde o poder público não chega ou chega com serviços de forma precária.
Na última semana pude parar um servidor público, agente de saúde de combate às endemias, Davi Apolinário, e falamos um pouquinho sobre o que deveria ser feito para melhorar o combate a dengue e demais insetos transmissores de doenças. Na oportunidade fiz alguns destaques importantes ao analisar o sistema atual de combate, haja visto que os combatentes e os recursos são limitados e nem sempre chegam a determinados locais que geram mosquitos transmissores de doenças.
Entre os pontos da conversa, o destaque ficou em uma das possíveis causas do aumento da proliferação dos mosquitos em Leopoldina, além da ausência comum e natural da falta de cuidados. Ao agente Apolinário destaquei que, plantas baixas, árvores frutíferas que acumulam água também são lugares que precisam de atenção. Para mim, uma bananeira tem potencial elevado de criar mosquitos transmissores de Dengue, Zika e outras doenças. Na copa das bananeiras, o pouco de água que acumula podem servir de criadouros e se tornam amplos dependendo da quantidade de bananeiras em determinada região.
Já o agente expôs também uma ideia de que os bolsões de água que ficam paradas nos córregos da cidade após o período das chuvas aumentam a criação dos mosquitos. Para ele é preciso um trabalho de limpeza a evitar a ação maléfica dos mosquitos à população.
Durante a conversa, algumas possibilidades foram levantadas que ajudariam bastante no combate, entre elas a revitalização dos córregos e a inserção de filhotes de peixes que ajudam na eliminação de larvas e outros insetos.
Após o diálogo, pude observar outras ideias e pensar em coisas que não estão sendo observadas por grande parte da população, e abaixo listo:
1º - vasilhas com água para animais e que ficam sem manutenção por vários dias;
2º - calhas e coletores de águas de chuva ou de limpezas que seguram certas quantidades de água e que não secam;
3º - poços semi-artesianos, que ainda existe em várias residências, mesmo não sendo utilizados, porém tendo acesso de mosquitos;
4º - carros velhos que não recebem atenção, podendo acumular água em determinadas repartições;
5º - troncos, tocos e plantas que podem acumular água por longo tempo;
6º - vazamentos não contidos sobre lages, e que permitem acúmulo de água.
Muitos outros aspectos já são bem conhecidos pela população, e que podem ser relembrados com mais facilidade. No demais, há sempre lugares improváveis nas residências que estão contribuindo para a evolução das doenças.
Por Josué Oliveira
