Desde 1989, há praticamente 30 anos Leopoldina só teve 3 prefeitos diferentes. O médico Antonio Márcio Cunha Freire governou a cidade por duas vezes, entre 1989-1992; e 1997-2000. Já outro médico José Roberto de Oliveira, atual prefeito acumula cinco mandatos de 1993-1996; 2001-2004; 2005-2008; 2013-2016; e de 2017-2020. Enquanto o ex-deputado estadual Benedito Renó Guedes governou a cidade entre os anos de 2009-2012.
Lá se vão quase 30 anos e a cidade sedenta pela renovação, mas muitas vezes aterrorizada pelo medo "do novo" - uma dura e cruel realidade política.
Desde os tempos que o saudoso deputado federal Sérgio Naya cumpria seu papel e cuidava da nossa região, Leopoldina conseguia dar alguns saltos sobre obstáculos. E olhem que sempre fomos importantes no cenário político mineiro e nacional. Mas, nos últimos anos, o poder político local frente ao estado e ao país se tornou precário ou inexistente. O último lembrete de um deputado de Leopoldina poderia ter sido melhor, se lembrássemos do ex-prefeito Bené Guedes, porém seus últimos anos na política na Assembléia Legislativa foram de pouca produtividade, e quase sem registros na cidade. E se compararmos com a vizinha Muriaé que fez 6 deputados, Leopoldina deveria aprender a eleger por aqui um representante com urgência.
Porém, quando olhamos o quadro político, vejo que a maneira que todos trabalharam e ou que trabalham, revela que a cidade está abandonada diante dos pensamentos políticos locais. É a questão de nunca dar sequência ao que o opositor fez, é não aceitar apoio de quem apoiou o outro e por aí vai. E com essa, o povo sofre e geme, mas quero lembrar aos governantes desses 30 anos, a conta deles vai chegar e virá com bastante sal.
Leopoldina está situada numa rota de acesso aos grandes centros como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e região das praias no litoral carioca e capixaba. Mas nada disso fez os políticos pensarem em proteger e fomentar Leopoldina como a Atenas da Zona da Mata mineira, região de turismo e cultura.
A cidade caiu no descrédito, sem poder econômico e político, foi abandonada em detrimento de outras cidades bem menor, mas que souberam usar o voto e a administração pública para resistir no tempo.
Foi louvável as coisas boas implantadas nestes 30 anos, mas quando olho para trás no tempo, vejo que esse tempo foi mal gerido e deixaram escapar enormes investimentos na cidade. Culpa da desgraça politiqueira e da 'burrocracia' do sistema.
Nestes quase 30 anos, os números chegarão aos incríveis 11.680 dias, ou seja, uma vida que poderia ter sido bem aproveitada, mas que infelizmente esse tempo foi mal usado.
O prefeito com menos tempo ao longo destes anos foi Benedito Renó Guedes, chegando apenas aos 1.460 dias com 12,50% do tempo. Antonio Márcio Cunha Freire chegou aos 2.920 dias de trabalho e ficou com 25,00% do tempo na administração, enquanto, logrando a maior parte ficou o atual prefeito José Roberto de Oliveira com 62,50% do tempo, chegando¹ a 7.300 dias.
Poderíamos aqui louvar os bons passos dados por cada um dos três administradores, mas vou fazer as críticas desse tempo perdido e que não vemos legados.
Por exemplo, a administração do atual prefeito José Roberto de Oliveira foi a que mais construiu escolas em todo o município. Os problemas da educação foi uma das suas prioridades ao longo dos dois primeiros mandatos, porém, aos poucos os objetivos foram sendo abandonados ou não mantidos.
Por se tratar de médicos, José Roberto de Oliveira e Antonio Márcio Cunha Freire deveriam ter logrado maiores êxitos para o município quanto à saúde, mas ao longo dos últimos anos as queixas aumentaram bem mais que o número de habitantes da cidade. A cidade hoje é agraciada com instrumentos importantíssimos como SAMU, Corpo de Bombeiros, Hemominas e outros órgãos, mas ficou estática e dependendo muito de instituições particulares locais ou de outras cidades da região.
O governo de Bené Guedes foi de muita promessa e pouquíssimos resultados. A maior promessa começou muito antes dele assumir a prefeitura em Janeiro de 2009, onde prometeu melhorar o trânsito de Leopoldina, e os 4 anos se passaram e a cidade ficou apenas na promessa. O trânsito melhorou com algumas sinalizações no governo posterior, mas ainda está longe do ideal, pois ideias que deveriam ter saído do papel continuam nas gavetas dos que pensam o trânsito em Leopoldina.
Voltando à questão da saúde, fico observando que volta e meia reclamações dos postos de saúde ganham páginas das redes sociais ou jornais escritos e radiofônicos da cidade. Muitos médicos são contratados e não cumprem suas obrigações de atendimento, encostam, pedem licenças e o serviço público continua precário. E para dizer a verdade, Leopoldina é como um país sem leis. Por aqui o Ministério Público quando aparece, é só para ser partido de alguma demanda, não surge com isenção para investigar e encaminhar os processos de maneira a dar transparência à sociedade. E nem parece que existe MP em Leopoldina. Não é ser irônico e inverídico. Todo mundo vê, só o MP não!
Durantes estes governos, algumas centenas de moradias foram entregues em vários novos bairros, mas em muitos desses há anos o poder público não levou qualidade de vida: esporte, lazer, saúde, educação, trabalho, etc. Bairros que ainda estão distantes disso, menciono alguns como Pedro Brito, Popular, Tomé Nogueira, Serra Verde, Cidade Alta e o Solar, este último entregue recentemente. O único desses que tem ao menos uma escola e uma quadra com certa estrutura é o Nova Leopoldina.
Portanto, não basta criar centros esportivos, prédios escolares ou para a saúde, além de abrir ruas e construir casas, é necessário dar um rumo certo à população - qualidade de vida. Isso vai além de um prefeito comum, normal, é para os que além das lutas se sentem parte do processo diário da estrutura criada na cidade.
Este post não possui características da crítica pessoal, mas sim política, afinal, como pessoa Antonio Márcio Cunha Freire, José Roberto de Oliveira e Benedito Guedes são modelos de carisma e carinho, por isso separo a coisa pessoal da coisa pública e política. A eles rendo louvores pelos caminhos trilhados em que alcançaram sucessos, e que por eles outros passem e observem os fracassos também, visando anos melhores para a cidade e para a vida política no Estado de Minas Gerais e no país. Com todos e para todos, muitas diferenças foram superadas, momentos únicos nos fizeram bem e isso contribui para que sejamos humanos, falhos e sujeitos também aos sentimentos.
Finalizando, imagino que os próximos 30 anos sejam bem mais diferente. Novas caras, novos rumos, novos sucessos deverão fazer parte da rotina política renovada de Leopoldina.
¹O tempo está sendo contado até o dia 31/12/2020.
Por Josué Oliveira - Pastor da ICED









