O sentimento que tem ocupado os corações dos brasileiros nos últimos dias é de que não passamos de escarnecidos, zombados e chamados de otários na cara. Isso mesmo, usaram as brechas para desprezar o povo.
Acompanhando discursos de aliados do governo, vemos que discutem 'os grampos' como ilegais, mesmo sendo avisados que foram com ordem judicial para que ocorressem. Estão tentando macular a imagem do Juiz federal Sérgio Moro e da Polícia Federal como se estes fossem os criminosos. Ou seja, o feitiço agora é do outro lado.
É tão notório a vergonha que passamos que, não se vê um político governista decente falar do conteúdo das gravações, deixando de lado o julgamento do grampo, se legal ou ilegal, e partindo para as conversas que provam um emaranhado de confusões e ordens à mando do ex-presidente Lula. Não adianta ficarmos discutindo a legalidade, pois caberá ao STF responder se elas estavam ou não legais, e se estavam, ficará um clima ainda pior para o governo que usou todos os termos para atacar, e quero ver a coragem para arrancar as palavras ditas e pedir a remissão.
A presidente Dilma falou grosso e forte contra os grampos, mas fiquei surpreso quando ela para defender seus interesses pessoais, os de Lula e os do partido tenha usado tantas palavras fortes assim, mas não fez da mesma maneira quando vazou na imprensa internacional que ela tinha sido grampeada também pelos Estados Unidos - a incoerência é que ela ainda deu exemplo de democracia e citou o mesmo EUA para dizer que se fosse lá, quem fizesse um grampo nas conversas do presidente iria parar na cadeia. Me pareceu que a presidente estava agindo mais como militante que a maior representante da nação. Ela deveria fazer com as mesmas forças o repúdio ao que os americanos fizeram com ela e com a nossa soberania, afinal, se grampearam ela, mostra-se que somos um país vulnerável e não temos nenhuma segurança. Mas, é melhor falar alto aqui, lá fora é bem provável que sabiam de coisas bem piores e que uma hora dessas aí acabará saindo na imprensa. A presidente deve saber em que mato tem tirado lenha.
Nas defesas da presidente Dilma Rousseff em seus pronunciamentos desta quinta e sexta-feira (17 e 18/03), ficou claro que nem mesmo a representante da nação no seu maior posto do país, não mostra conhecer leis e ainda tece ameaças que podem configurar crimes, isso porque os dedos políticos não páram de ser usados para monitorar um, trocar outro, colocar alguém ali e ou favorecer acolá, entendimento que se tem para punir ou ao menos postergar um dano maior.
O desespero em que o Planalto vive nos últimos dias deixou o país sem presidente e o povo nem percebeu isso. O governo começou há vários dias uma caminhada que não mudou o rumo, desde a condução coercitiva de Lula a Polícia Federal, a estratégia é defender o ex-presidente, blindá-lo e fazer com que ele tenha foro privilegiado apenas para ser julgado supostamente por uma Corte Suprema que praticamente, todos por lá foram indicações petistas. É a esperança que reverbera como um suposto ato da Corte em livrá-lo da cadeia e investigações. Parece que o STF é mesmo bonzinho aos políticos.
Mas diante dessa incógnita, em Lula ser ou não Ministro Chefe da Casa Civil, mais de 50 ações estão espalhadas na Justiça pelo país afora, tentando barrar a ocupação de Lula no maior escalão do governo. As ações ficaram claras, que Lula foi para Brasília ocupar um cargo de Ministro, obter o foro privilegiado e fugir da primeira instância. Com as ações em andamento, aguarda-se um parecer do STF julgando o caso do ex-presidente para que definitivamente a nação saiba se ele pode ou não ser Ministro, já que estava sendo investigado na Lava Jato.
Outra coisa que chamou a atenção, foram os atos de desmerecimento praticados diversos deputados e senadores, aliados do governo e até pelo próprio governo ao desqualificar os juízes que deram liminares suspendendo a posse de Lula. Alguns termos ficaram tão estranhos como "juizinho de merda", "juizinho de primeira instância", e outro comentário como "tribunalzinho do sertão" mostram o quanto fugiram da ética parlamentar ao atacar um membro dos três poderes.
O posicionamento do Ministério Público, dos Magistrados do STF e STJ e agentes da Polícia Federal trataram de repudiar veemente as declarações do ex-presidente Lula. Viram que fora inconcebível a postura de um ex-presidente atacar o judiciário na tentativa de intimidar para obter favorecimentos. Nem mesmo o Procurador Geral da República Rodrigo Janot ficou fora da língua bifurcada da jararaca. Lula cobrou um 'gratidão' do indicado a PGR. Em conversas grampeadas, as falas do ex-presidente são impróprias suas transcrições do ponto de vista dos termos usados. São chulas e depreciatórias.
Ao seguir dos próximos dias, fica praticamente inviável dizer o que acontecerá. Cada dia uma bomba, uma novidade e um desafio político e jurídico para que os três poderes possam encontrar a solução, levando em conta os desejos sociais e a prevalência das leis e direitos, sem que se torture 'A' ou 'B' para mostrar força e poder. Todo poder vem do povo e é garantido pelo povo, essa é primícia da Constituição Federal.
Os mesmos moldes usados para investigar Lula, Dilma e aliados devem ser os mesmos usados para investigar quaisquer outros, até mesmo os Senadores Aécio Neves e Renan Calheiros e demais parlamentares que tiveram seus nomes citados na Lava Jato, caso contrário, a ideia de "golpe" deixará o campo da letra e fala, e ganhará a versão de "realidade" brasileira, praticada por parte da sociedade manipulada pelas mídias.
Por Josué Oliveira