📝 RESPONDA se puder:
"A menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio e ficou grávida, teve o aborto da criança feito após decisão de autorização da justiça. O que você achou da decisão de abortar?"
#Certa ou #Errada? #LeopoldinaNews
Nos últimos dias nos deparamos com uma das notícias mais bizarras, nojentas, insanas e com viés de sangue nos olhos, quando um caso no Espírito Santo chamou a atenção do país. Um tio estuprou a sobrinha de apenas 10 anos e acabou ficando grávida. Entre desejos de abortar a criança e as pressões contra o aborto, a justiça deferiu o pedido da família que autorizou o aborto da criança já com 22 semanas.A menina teve o aborto negado sua realização em um hospital do Espírito Santo, mas acabou tendo sua cirurgia sendo feita em Recife, capital do Pernambuco.
A menina teve seus argumentos aceitos pela justiça capixaba mesmo sendo incapaz. O juiz que julgou a ação do Ministério Público Estadual afirmou na decisão “a vontade da criança é soberana ainda que se trate de incapaz, tendo a mesma declarado que não deseja dar seguimento à gravidez fruto de ato de extrema violência que sofreu”.
Diante do exposto, vem inúmeras opiniões sobre o aborto no Brasil. Nos últimos anos, alas que apoiam e discordam ganharam mais ânimo em discutir esse tema, já que temos também o aspecto religioso e científico a ser tratado na maioria dos casos.
Teologicamente nos deparamos com o argumento plausível de que "o poder de dar e tirar a vida está exclusivamente em Deus" - transliteração comum de 1 Samuel 2.6. Ele sim tem o poder de dar e tirar a vida de qualquer que seja o ser humano.
Ao olhar esse tema específico neste caso, é extremamente complexo argumentar que apenas Deus tem esse direito de dar ou tirar a vida, ainda que de forma genérica nós não saibamos onde está de fato a ação de Deus sobre esse tema. Não imaginamos nós que muitas vezes nós em diversos momentos acabamos por contribuir contrariamente do argumento de que apenas "Ele tem esse poder".
Imaginamos que o caso específico foi desejado por Deus? Foi permitido por Deus? Deus estava no controle de tudo a ponto de permitir ou desejar que uma menina de apenas 10 anos fosse violentada durante 4 anos pelo próprio tio? Eu poderia indagar muitas outras questões de onde se encaixaria a parte de Deus neste caso específico do abuso e estupro feito por um homem a uma criança.
A monstruosidade vista aqui, vai totalmente no sentido de que a terra também suas regras de justiça, e, lembremos-nos que Deus também conhece os propósitos das leis estabelecidas pelos homens e as aprova, desde que isso não interfira na sua soberania.
A mesma monstruosidade desse tio vem sendo praticada em inúmeros países e inclusive dentro de nosso país, onde os abusos ocorrem de forma rotineira e ficam sem a punição com rigor da lei.
Com argumentos contrários e favoráveis ao aborto, muitas vezes nem todos os que discutem o assunto leva em consideração a paciente, as quais destaco abaixo:
1)- Capacidade da paciente que ficou grávida após estupro individual ou coletivo, tendo ou não consentimento quando se trata de menor de idade protegido por legislação específica. Cabe ouvir e compreender a vítima, sabendo que evolução da gravidez de forma brutal fora do tempo gerará informações e resultados desconcertantes no futuro.
2)- Capacidade dos que irão dar suporte à grávida se houver (familiares, amigos, círculo social entre os quais participa, etc) vislumbrando evitar danos irreversíveis à paciente. Muitas vezes assuntos que deveriam permear o meio adulto acaba sendo transmitido à crianças incapazes de discernimento.
3)- Capacidade dos que irão dar suporte à grávida, quanto ao tema nascimento da criança fruto de estupro, que a mesma terá inúmeras limitações quanto às grandes responsabilidades (que no caso específico não se pode e não deve exigir de uma criança de 10 anos). Imaginemos uma sociedade cobrar de uma criança de 10 anos que ela dê de mamar seu bebê, ou que ela troque a fralda.
4)- O fato religioso sempre irá pesar na balança das decisões, no entanto, grupos que defendem a continuidade da gestação e depois colocar o bebê para adoção também mostram nos argumentos a falta de amor, o mesmo se aplica ao aborto e abandono. Ao caso específico, assim como Deus não leva em consideração a incapacidade de uma criança no que tange ao pecado, visto que ela ainda não possui maturidade para distinguir o que se passa em sua vida, um aborto, um nascimento e ou adoção é totalmente impensável por ela. No caso específico caberá uma pessoa adulta decidir o futuro desta criança.
5)- O aspecto do feminismo neste caso específico fica louvável quando o assunto é defender a vida da mulher. O que se viu neste caso foi uma campanha que é preciso considerar sua natureza que diverge dos casos de mulheres que no dia a dia decidem ter uma vida promíscua, que engravidam e depois querem abortar. Estamos tratando de um caso específico de uma menina de 10 anos, totalmente incapaz de responder pelos seus atos, quanto foi incapaz de denunciar os crimes do seu tio por medo, quanto foi incapaz de fugir da violência. A defesa da saúde da menina precisa ser protegida.
6)- É preciso criar uma sintonia dos fatos. A menina não queria a gravidez, já que descobriu recentemente quando sentiu dores e acabou por contar a violência sexual que sofria desde os 6 anos de idade. O sentimento, o corpo, o emocional e outros aspectos não estão preparados totalmente para receber um bebê. Qual pai ou mãe terá em si a coragem de permitir que sua filha venha viver dias longevos com o fruto de uma brutal violência? É preciso compreender que estamos tratando de uma criança de 10 anos.
7)- O fato da menina se apegar a um ursinho de pelúcia mostra a qualquer pessoa em sã consciência que a maturidade ainda lhe falta, e que ainda se apega aos brinquedos, coisas peculiares da infância. A observar esta situação, emocionalmente uma garotinha de 10 anos não compreenderá entre o brinquedo fofinho e um bebê real que carece muito mais que um aperto meigo de infância.
8)- Estruturalmente falando sobre família, em muitos caso ela abafa estas situações, acobertando o pedófilo por medo de reações, criando uma situação que dura muitos anos ou até décadas como já vimos em muitos casos. A família deve ser fundamental para proteger antes e ter decisões coerentes em casos pós violência e gravidez.
9)- No que diz respeito a medicina e à ciência, infelizmente qualquer pessoa que passa por um processo de aborto enfrentará riscos de desenvolver outros problemas de saúde na próxima gravidez ou imediatamente ao aborto. É preciso muita conscientização e informação para que não se tome uma decisão que produzirá ainda mais danos à vítima. A vítima já é vítima da violência e não pode se tornar vítima da irresponsabilidade dos familiares, da religião e nem mesmo baseado nas pressões sociais. A vida em primeiro lugar deve ser a da vítima.
Enfim, o tema pode solicitar um debate com muitas vertentes, sociais, religiosas, jurídicas e científicas, cabendo à sociedade saber lidar com cada situação e a proteger a vida em primeiro lugar das vítimas da violência sexual.
Finalizo afirmando que, Deus tem o poder supremo de dar e tirar a vida, no entanto é preciso de coragem para afirmar que uma menina não teve seu poder supremo da infância respeitado no processo, cabendo apenas aos seus responsáveis e à vítima decidirem juntos quanto aos episódios que ocorrem.
por Josué Oliveira via Leopoldina News