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| Marina Silva |
São Paulo, 11 jul (EFE).- A ambientalista Marina Silva reafirmou nesta
quinta-feira, durante o segundo fórum 'Efe Café da Manhã', que a
disputa pela presidência nas eleições do ano que vem é uma
'possibilidade', mas sua eventual candidatura ainda tem que ser definida
pelo partido.
'É uma possibilidade, mas é algo que temos que definir', declarou
Marina durante seu discurso no debate promovido pela Agência Efe com o
apoio do Instituto Cervantes de São Paulo e o patrocínio do Banco
Santander Brasil.
Marina, ex-ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, durante o
mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou o PT em
2009, após três décadas de militância, e se filiou ao PV.
Companheira de luta do líder ambientalista Chico Mendes e
alfabetizada quando já era maior de idade, Marina começou sua carreira
política no Acre, onde foi vereadora, deputada e em sua representação
conseguiu uma cadeira no Senado.
Como ministra do Meio Ambiente, recebeu múltiplos reconhecimentos
internacionais e após retornar ao Senado aceitou disputar as eleições de
2010, vencidas por Dilma Rousseff, e nas quais a ecologista recebeu
quase 20% da votação, com 19,6 milhões de votos válidos.
Neste ano, Marina Silva liderou a criação da Rede Sustentabilidade,
partido político que espera seu aval para participar das eleições
presidenciais, legislativas e regionais de 2014.
Em seu discurso durante o fórum 'Efe Café da Manhã', Marina afirmou
que o mundo passa por uma 'crise civilizatória', conjunto de cinco
crises: a econômica, a social, a política, a ambiental e a de valores.
'As crises civilizatórias não são fáceis de serem entendidas (...) os
gregos, os romanos, os egípcios e as civilizações pré-colombinas não
foram capazes de notá-las', destacou a ex-candidata presidencial e
historiadora.
'Os dois bilhões de pessoas no planeta que vivem em extrema pobreza e
comem com US$ 2 por dia estiveram sempre em crise econômica',
acrescentou.
Sobre a crise ambiental, Marina ressaltou que essa situação 'põe em
risco a existência humana' e refutou que a humanidade 'sacrifique os
recursos de milhares de anos pelo lucro de algumas décadas'.
'Uma crise civilizatória exige o melhor do esforço da raça humana', comentou.
A também pedagoga foi a segunda convidada do fórum 'Efe Café da
Manhã', um ciclo de cafés da manhã com destacadas personalidades da
política, da sociedade e da economia que começou no Brasil no último mês
de maio com a participação da ministra de Fomento da Espanha, Ana
Pastor.
Em sua exposição, Marina Silva enfatizou que 'o desenvolvimento
sustentável não é uma maneira de fazer, é uma forma de ser. Não é só uma
questão ambiental e ecológica, porque não é apenas um conceito, é um
conjunto do econômico, social, cultural e ambiental, ao qual eu
acrescento a dimensão ética e estética'.
Por outro lado, a ambientalista qualificou os protestos sociais que
sacudiram o Brasil no último mês como um 'movimento de beleza e
grandeza' que tem 'potencial para mudar' o país e se referiu à
'insatisfação' do povo brasileiro com sua 'representação' política.
'A corrupção focada em uma pessoa ou partido não tem solução. Por
exemplo, quando a inflação era um problema do governo, tínhamos
inflação. Quando virou um problema da sociedade, fomos capazes de
conseguir a estabilidade econômica', comentou.
A ex-senadora também comentou as agressões à imprensa durante a onda
de manifestações de junho que se expandiu a diversas cidades e foi
motivada por várias reivindicações sociais.
'A liberdade de imprensa é uma conquista da democracia e deve ser
preservada, a imprensa livre é fundamental em qualquer democracia e em
qualquer processo de transformação', ressaltou.
O fórum realizado no Instituto Cervantes de São Paulo foi moderado
pelo presidente da Agência Efe, José Antonio Vera, e contou com a
participação do jornalista Nilsson de Oliveira e de Marcos Madureira, um
dos vice-presidentes do Banco Santander.
Fonte: EFE